quinta-feira, 27 de maio de 2010

De frente para o espelho

Espelho sm. Objeto que serve para refletir imagens.

A humanidade, consciente ou inconscientemente, está mergulhada no mundo da iconografia. Vivemos cercados de símbolos, figuras ou imagens. Provocamos, com as nossas ações, imagens que expressam nossa personalidade e até mesmo o nosso caráter. A liderança também se desenvolve dessa forma, permeada de um imaginário fictício ou verídico, ela vai atuando na sociedade por meio de diversas representações.

Se o seu estilo de liderança fosse colocado diante de um espelho, quais as imagens que seriam refletidas? Você está satisfeito com o que vê?

Convido você agora a refletir sobre alguns possíveis reflexos de sua liderança.

Reflexo 1: A aparência

O primeiro reflexo a ser pensado se refere à aparência, ou seja, se você é um líder que se preocupa demasiadamente com a aparência, essa preocupação pode lhe levar a viver numa eterna crise existencial. Existe uma verdade que deve prevalecer na mente de qualquer líder: a de que a sua tarefa não é causar uma boa impressão naqueles que lidera, mas provocar neles um impacto transformador, pois o máximo que uma boa aparência pode provocar é o convencimento de idéias, ou seja, na superficialidade posso convencer o outro de que estou certo, entretanto, por ser superficial jamais conseguirei produzir uma mudança significativa na vida dele.

Liderança, contudo, não é apenas convencimento de idéias ou pessoas, mas transformação de vidas, e esse impacto transformador só é possível por meio da prática de uma verdadeira essência e não de uma verossímil aparência. A crise existencial nasce, justamente, pelo fato de o líder não se preocupar com a transformação de vidas, mas apenas com o convencimento de idéias.

Apesar de todo o discurso que há sobre a valorização do ser, parece que no final das contas o líder está preocupado somente com os resultados. Em busca de resultados imediatos nos tornamos apáticos com aqueles que lideramos. Então, imagine, se agimos assim com os que estão sob a nossa liderança, o que será dos outros que estão à margem da nossa atuação? O custo da manutenção da aparência é justamente a busca imediata pelos resultados, pois eles garantem momentaneamente o nosso status quo. Quero ressaltar que no processo de liderança, as pessoas são fundamentais; não como meros mecanismos que garantem a realização dos nossos desejos, mas como seres que podem tornar real a transformação de um lugar, uma sociedade ou até mesmo uma nação.

Para isso, todo líder no desempenho de sua liderança deve evitar a preocupação com o estereótipo e focalizar a essência, compreendendo o outro e a si mesmo, buscando por meio da compreensão uma mudança significativa e prática de idéias e atitudes.

Reflexo 2: O medo

O segundo reflexo está ligado ao medo. Para compreendermos o medo como sendo um reflexo influenciador na liderança é necessário voltarmos um pouco ao sentido da iconografia citado no início deste artigo. O termo grego eikonographía (iconografia), eikon (imagem) e graphia (escrita), era utilizado também para a representação dos heróis gregos através de imagens e símbolos. Essa caracterização permeou a história para sustentar a ilusão de heroísmo presente no imaginário do ser humano. Em pleno século XXI, a iconografia é tão real como foi no mundo grego. Na liderança, essa caracterização ainda existe para legitimar o poder do qual os líderes estão revestidos. Criamos os líderes heróis cristãos, e ainda mais, assim como no mundo grego, cultuamos esses líderes.

Contudo, para o herói ou o líder manter-se como ícone na história, há um preço a ser pago. Um dos mais notáveis historiadores da atualidade, Jean Delumeau, em seu livro História do medo no Ocidente, o qual analisa a existência do medo situada entre os séculos XIV e XVIII, ressalta que “os homens no poder fazem de modo a que o povo – essencialmente os camponeses – tenha medo” (1990, p.15), essa afirmação é real no momento em que esse medo eterniza os mais simples a viverem acomodados no sofrimento e escravos a uma ideologia vergonhosa e distante de qualquer ideal libertador e de uma vida plena e abundante.

Permita-me ser contundente e perguntar se podemos observar tal reflexo em nossas lideranças eclesiásticas. Será que não estamos utilizando uma representação de herói para marginalizar o povo e conduzi-lo a uma vida viciada na comercialização de bênçãos em nossos sistemas cristonômicos? Amedrontamos as pessoas por meio de vários fenômenos para que elas estejam cotidianamente presas aos nossos programas eclesiásticos e sigam corretamente um manual de conduta cristã. Se a pessoa não participa de “tal” campanha, ou não cumpre “certas” normas, possivelmente a necessidade dela não será suprida. Esse é um fenômeno que, conseqüentemente, aterroriza a mente daqueles que muitas vezes não têm o discernimento para perceber as façanhas mirabolantes da liderança. A imagem do herói exerce um poder de coesão e manipulação do fiel.

O historiador Delumeau ainda afirma que o medo, nos tempos antigos, era um perigo ocasionado pela natureza. Assim, a seca, os terremotos, as inundações e as pestes eram quem aterrorizavam as sociedades. Atualmente, entretanto, quem amedronta a sociedade é o próprio homem em virtude de seus ideais materialistas e insanos, os quais acabam por legitimar sua figura de herói.

Reflexo 3: O poder

O último reflexo a ser tratado aqui está relacionado ao poder. Você deve ter percebido que os dois últimos reflexos são alguns dos meios que muitos líderes têm utilizado para alcançar o poder.

Não quero argumentar agora sobre as questões técnicas do poder, entretanto, pretendo abordar um princípio bíblico para pensarmos sobre o assunto. Acredito que a atual crise vivenciada no contexto da liderança deve-se ao fato de não compreenderem a importância que os meios têm no processo da caminhada do líder até o seu objetivo final. Há uma preocupação excessiva com os títulos e nenhuma ética para alcançá-lo.

O princípio bíblico remete ao Antigo Testamento. Davi, conforme registra 2 Sm 6, foi estabelecido rei em Israel, mas a arca da aliança não estava em Jerusalém. O novo rei deveria levar a arca para o centro daquela nação, pois esta simbolizava a aliança de Deus para com aquele povo. Jerusalém, por sua vez, simbolizava a força econômica, política e social daquela nação, conseqüentemente, a arca, em Jerusalém, devolvia a autoridade que todo o Israel necessitava naquele momento. Diante disso, Davi elabora sua primeira tentativa para conduzir aquele símbolo de volta e, como a história narra, Deus desagradou-se do meio utilizado para fazer o transporte. Houve irreverência, falta de temor por parte daqueles que estavam transportando a arca. Deus estava ensinando naquele momento que mais importante do que levar a arca para Jerusalém, era o como levar.

Nós, líderes cristãos, na busca pelo triunfalismo espiritual, muitas vezes esquecemos dos meios que temos utilizado para alcançá-lo. Não percebemos que estamos agindo sem temor diante das nossas obrigações em relação a Deus e o seu povo. Contudo, Davi retoma sua caminhada, mas agora era diferente, pois “sucedeu que, quando os que levavam a arca do Senhor tinham dado seis passos, sacrificava ele bois e carneiros” (2 Sm 6.13). Imagine quão longa seria a viagem se a cada seis passos eles paravam para sacrificar ao Senhor. Enfim, esse princípio nos ensina que o mais importante não é simplesmente chegar, mas quais meios estamos utilizando para atingir nosso objetivo.

Posso afirmar que, para sustentar a aparência no poder, muitos líderes, infelizmente, têm amedrontado o povo com vários programas e obrigações eclesiásticas. É um ciclo vicioso, pois os programas eclesiásticos garantem momentaneamente o nosso status quo e, por incrível que pareça, a execução do medo é o meio pelo qual os líderes mantêm o poder baseado na aparência, afinal de contas, os medrosos são covardes e não possuem coragem para contestar o que quer que seja, ainda mais as práticas daqueles que se denominam heróis.

Repensar a forma como estamos caminhando na liderança é um primeiro passo para buscarmos medidas efetivas de mudanças que agradem a Deus. Conseqüentemente, será possível cumprir o seu querer em nossas vidas por meio de um bom desempenho enquanto líderes.

Na benção!!! Tudo Pelo Reino

Um comentário:

  1. DENÚNCIA: SÍTIO CALDEIRÃO, O ARAGUAIA DO CEARÁ – UMA HISTÓRIA QUE NINGUÉM CONHECE PORQUE JAMAIS FOI CONTADA

    "As Vítimas do Massacre do Sítio Caldeirão
    têm direito inalienável à Verdade, Memória,
    História e Justiça!" Otoniel Ajala Dourado



    O MASSACRE DELETADO DOS LIVROS DE HISTÓRIA


    No município de CRATO, interior do CEARÁ, BRASIL, houve um crime idêntico ao do “Araguaia”, foi a CHACINA praticada pelo Exército e Polícia Militar em 10.05.1937, contra a comunidade de camponeses católicos do SÍTIO DA SANTA CRUZ DO DESERTO ou SÍTIO CALDEIRÃO, cujo líder religioso era o beato "JOSÉ LOURENÇO GOMES DA SILVA", paraibano negro de Pilões de Dentro, seguidor do padre CÍCERO ROMÃO BATISTA, encarados como “socialistas periculosos”.



    O CRIME DE LESA HUMANIDADE


    O crime iniciou-se com um bombardeio aéreo, e depois, no solo, os militares usando armas diversas, como metralhadoras, fuzis, revólveres, pistolas, facas e facões, assassinaram na “MATA DOS CAVALOS”, SERRA DO CRUZEIRO, mulheres, crianças, adolescentes, idosos, doentes e todo o ser vivo que estivesse ao alcance de suas armas, agindo como juízes e algozes. Meses após, JOSÉ GERALDO DA CRUZ, ex-prefeito de Juazeiro do Norte/CE, encontrou num local da Chapada do Araripe, 16 crânios de crianças.


    A AÇÃO CIVIL PÚBLICA PROPOSTA PELA SOS DIREITOS HUMANOS


    Como o crime praticado pelo Exército e Polícia Militar do Ceará é de LESA HUMANIDADE / GENOCÍDIO é IMPRESCRITÍVEL conforme legislação brasileira e Acordos e Convenções internacionais, a SOS DIREITOS HUMANOS, ONG com sede em Fortaleza - CE, ajuizou em 2008 uma Ação Civil Pública na Justiça Federal contra a União Federal e o Estado do Ceará, requerendo: a) que seja informada a localização da COVA COLETIVA, b) a exumação dos restos mortais, sua identificação através de DNA e enterro digno para as vítimas, c) liberação dos documentos sobre a chacina e sua inclusão na história oficial brasileira, d) indenização aos descendentes das vítimas e sobreviventes no valor de R$500 mil reais, e) outros pedidos



    A EXTINÇÃO SEM JULGAMENTO DE MÉRITO DA AÇÃO


    A Ação Civil Pública foi distribuída para o Juiz substituto da 1ª Vara Federal em Fortaleza/CE e depois, para a 16ª Vara Federal em Juazeiro do Norte/CE, e lá em 16.09.2009, extinta sem julgamento do mérito, a pedido do MPF.



    RAZÕES DO RECURSO DA SOS DIREITOS HUMANOS PERANTE O TRF5


    A SOS DIREITOS HUMANOS apelou para o Tribunal Regional da 5ª Região em Recife/PE, argumentando que: a) não há prescrição porque o massacre do SÍTIO CALDEIRÃO é um crime de LESA HUMANIDADE, b) os restos mortais das vítimas do SÍTIO CALDEIRÃO não desapareceram da Chapada do Araripe a exemplo da família do CZAR ROMANOV, que foi morta no ano de 1918 e a ossada encontrada nos anos de 1991 e 2007;



    A SOS DIREITOS HUMANOS DENUNCIA O BRASIL PERANTE A OEA


    A SOS DIREITOS HUMANOS, como os familiares das vítimas da GUERRILHA DO ARAGUAIA, denunciou no ano de 2009, o governo brasileiro na Organização dos Estados Americanos – OEA, pelo DESAPARECIMENTO FORÇADO de 1000 pessoas do SÍTIO CALDEIRÃO.


    QUEM PODE ENCONTRAR A COVA COLETIVA


    A “URCA” e a “UFC” com seu RADAR DE PENETRAÇÃO NO SOLO (GPR) podem localizar a cova coletiva, e por que não a procuram? Serão os fósseis de peixes do "GEOPARK ARARIPE" mais importantes que os restos mortais das vítimas do SÍTIO CALDEIRÃO?



    A COMISSÃO DA VERDADE


    A SOS DIREITOS HUMANOS busca apoio técnico para encontrar a COVA COLETIVA, e pede que o internauta divulgue a notícia em seu blog/site, bem como a envie para seus representantes no Legislativo, solicitando um pronunciamento exigindo do Governo Federal a localização da COVA COLETIVA das vítimas do SÍTIO CALDEIRÃO.


    Paz e Solidariedade,



    Dr. Otoniel Ajala Dourado
    OAB/CE 9288 – 55 85 8613.1197
    Presidente da SOS - DIREITOS HUMANOS
    Editor-Chefe da Revista SOS DIREITOS HUMANOS
    Membro da CDAA da OAB/CE
    Especialista em Psicologia Jurídica
    www.sosdireitoshumanos.org.br
    sosdireitoshumanos@ig.com.br
    http://twitter.com/REVISTASOSDH

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